quarta-feira, 26 de junho de 2013

Olha o papo...

Na última sexta-feira tô eu lá no trampo no momento da pausa com 2 colegas alemas...olha o assunto.
Uma comecou a falar o que tinha estudado profissionalmente Schneiderin/alfaiate, costureira... enfim. Outro dia uma outra colega me disse que tinha estudado pra ser Bäckerin/padeira.
Aí ela me pergunta o que tinha estudado, falo a ela, que sou professora.
Ela pergunta de novo, mas onde vc estudou?
Eu digo na Universidade e digo que trabalhei quase 10 anos como tal no Brasil.
Ela ficou admirada.
E eu fiquei na minha, nao sou Einstein ponto.
E ela prossegue, ah vc deveria continuar estudando, se especializar mais.
Que eu iria ganhar muito mais, blá, blá, blá.
Digo a ela que no Brasil pra ser professor vc estuda só uma área e aqui automaticamente vc estuda a  partir de 2.
Prossigo e digo nao tenho mais 20 anos e quero e preciso ter o meu dinheiro todo mês.
Adoraria estudar, mas nao ganharia nenhum euro, muito pelo contrário teria que desenbolsar euros pra prosseguir com os estudos e ser sustentada.

E sério no Brasil nao tenho boas recordacoes da minha área, nao que tudo tenha sido ruim, teve coisas boas, mas muito cansativo e estressante, fora a falta de respeito em todos os sentidos privado e público. Nao corcordo com o salario e nem com a tripla carga horaria de trabalho, manha, tarde e noite pra ter um razoavel salario e ainda levar trabalho pra casa, pq professor trabalha em casa. E nao da pra ser professor so na linda Universidade e o Ensino Básico oi...

Meu alemao teria que ser muito bom para ser professora de História como era no Brasil, teria que ter um puta vocabulario da área. E acredito que a realidade aqui é outra, melhor, sem comparacoes.
A outra colega chega e fica sabendo pela outra que sou professora, mas essa nao deu bola.

Continuamos a conversar e ela disse o seu idioma é português.
E eu sim.
Aí diz que conhece pessoas que foram pra Algarve em Portugal (associacao portugues-Portugal, nada de Brasil, ok, ok...)
Que em Portugal é muito bom, é mais quente, é bonito, blá, blá, blá.

A outra colega diz ah! mais Portugal é muito, muito pobre, nao é bom nao e quer dinheiro de nós, da Alemanha, todos querem assim como a Itália, a Grécia e continua todos querem dinheiro da Alemanha.
E continua nao aguento mais isso todos querem dinheiro de nós, até hj, até os judeus da atualidade que vao buscar as geracoes passadas que sofreram com o nazismo.
E comeca a falar dos romenos, diz que esses sao horríveis , sao pobres, nao dá pra confiar, já tive um outro chefe que me disse a mesma coisa.
Aí ela continuou a falar e citou uma chefe que tem lá que é da Iugoslávia, senti naquele momento que ela nao gosta dela.
Essa iugoslava é chefe das alemas.
Ela comecou a falar que a guerra já acabou lá e que ela deveria voltar, pq essa iugoslava sempre fala da Iugoslavia, que lá é bonito, mais bonito que a Alemanha, que ela tem casa la, sempre viaja pra lá...
Ah! entao pq ela nao volta, ela e essas duas, pq tem mais duas na clinica que sao da Iugoslavia.
Que na Alemanha ta cheio de estrangeiro, de todo tipo.
Que tem muitos estudantes estrangeiros.
Eu digo: é os estrangeiros tem mais interesse em cursar uma Universidade que os alemaes.
Ela retruca e diz: nao, tem muito alemao universitario, mas eles deixam os estrangeiros vir pq eles sao (mais) baratos depois pro mercado de trabalho, citou os chineses.

E elas ficaram tricotando e dizendo que nao podiam dizer nada pra essa chefe, nada do que elas realmente pensam, que ela deveria era voltar pro seu país, deu a entender que nao gostam de uma estrangeira mandar nelas.
Mas na frente é respeito e falsidade, pq por trás metem o pau.

A pausa acabou e voltamos ao trabalho, nao fiquei me sentido mal, mas me senti esquisita no meio daquela conversa, pq sou uma estrangeira.
Aí fiquei pensando no fundo, no fundo acho que a maioria dos alemaes nao gostam dos estrangeiros e acho isso mesmo, pelo fato de realmente haver muitos estrangeiros.
Pelo fato da Alemanha ceder créditos aos países em crise na Europa, mas crédito é crédito, tem que pagar depois, apesar que calotes podem acontecer.

Cheguei em casa e comentei com o marido que é alemao.
Ele comentou que essas pessoas sao idiotas.
Sei que tem alemaes que nao tem problema nenhum com estrangeiro, mas vou dizer acho que é minoria.
Nao tiro e nem dou razao para os alemaes.
Carrego reticências, exclamacoes e interrogacoes... !!! ???


8 comentários:

  1. Menina pois aqui eu ouço tanto o povo falar mal de palestinos, romenos, iranianos e tal e eu me sinto mega mal sabia? Tipo até o namorado manda uma dessas tipo: "Olha o jeito q ele dirige, só podia ser estrangeiro" "Mas tb esses estrangeiros vem pra cá e roubam" Cara e eu fico tipo com maior carão de What the Fuck. Pq ele não lembra q eu sou estrangeira tb. Q quando eu passo de bicicleta em lugar errado o povo deve pensar a mesma coisa "Tinha q ser neguinha" ahahahahah. Eu nunca ouvi nada sobre brasileiros e nunca senti preconceito contra minha pessoa, mas pra mim falar mal de estrangeiro está me incluindo né.
    Esses dias uns amigos nossos aqui e reclamando das condições das estradas e de investimento em cultura ai um falou "É, mas para pagar benefícios para esse monte de refugiados eles tem dinheiro". Vou te falar viu, aqueles q falam q noruegues é todo sem preconceito precisam rever seus conceitos ehehhehehheh
    Sempre tem suas exceções né, mas q a maioria não curte os refugiados isso é sem dúvida.

    BJSSS

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    1. Dri os alemaes falam mal em maioria dos turcos, mas aí vem outros como os romenos e etc., quanto aos refugiados eles existem tb por aqui, mas parece um tema meio obscuro, é como se eles vivessem na escuridao, uma faca de 2 gumes, necessario acolher, questao politica e as vezes solidaria, mas talvez tb mais um fardo. Como estrngeiras q somos, nao temos como nao nos sentirmos atingidas, enfim, mas pelo menos se vc se integra ao país, procura falar o idioma, trabalha e leva uma vida normal como qualquer alemao, vc é bem visto... bjs.

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  2. Nossa, que horror esse papo! Se eu fosse você eu nem conversava mais com essas daí, só o necessário relacionado ao trabalho mesmo. Eu nunca senti hostilidade por aqui não, mas amigos também não fiz. Deve ter uma relação... será?

    beijos

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    1. Ma, eu como disse me senti esquisita, nao somos amigas, mas nos respeitamos e o relacionamento é ali no trabalho, elas na verdade nao sao hostis comigo, foi uma situacao, elas me respeitam, pq ja mostrei meu jeito, ja mostrei meu temperamento e ja falei grosso, entao, to nem aí, como disse o Zagalo, elas vao ter que me engolir, chupaaa, rs, bjs.

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  3. Essse tema é realmente complicado, mas se coloca no lugar deles... e se fosse ao contrario?
    É que no Brasil os estrangeiros tem mais créditos que os próprios brasileiros, numa entre vista de emprego com 2 candidatos um brasileiro e outro alemão, por mais que o brasileiro seja mais qualificação q o alemão, o alemão apenas por ser alemão teria a maior chance q o brasileiro, ou seja o brasil não valoriza os próprios brasileiros e preferem os estrangeiros. Na Alemanha é diferente e eu não os culpo, pois eu acho q eles defendem mais o seu próprio povo e se valorizam mais.
    Por exemplo, na 25 de março em sp quantos estrangeiros trabalham la em empregos q poderiam ser de mts brasileiros... praticamente os estrangeiros roubam o q poderia ser nosso entende?
    Eu tenho noção disso mas mesmo assim rs quero me arriscar na terra das batatas rs pelo qualidade de vida e com menos criminalidade

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    1. Mari eu ja disse isso algumas vezes em algum post que brasileiro é besta, se abre pro estrangeiro, faz festa, mas isso tb tem mudado, um exemplo se o brasileiro é maltratado na porta de entrada de uma país, ou seja, já no aeroporto, como aconteceu na Espanha, o Brasil respondeu que tratara da mesma forma quando estrangeiros chegarem no Brasil e profissionalmente isso tb tem mudado e espero que continue assim, nao podemos ser intolerantes, mas tb chega de ser otario :)

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  4. Eu fui professora por um tempo quando ainda morava no Brasil e amei cada segundo porque amo Artes e adorei trabalhar com isso, porém o salário no Espírito Santo apesar de ser mais ou menos bom, para professor temporário ainda não formado não era lá essas coisas, dava pra bancar as idas ao polo da UFES em Aracruz(curso a distância público) e os materiais para o curso de artes que não são baratos. Quanto a situação do seu post, aconteceu algo parecido comigo enquanto eu estava no intervalo do curso de integração, sentada numa mesa entre duas russas que falavam da diferença entre os estrangeiros e um monte de blá blá blá...rsrs então eu te entendo mas com as duas lá do meu curso eu retruquei dizendo que o mundo não seria mundo se as pessoas não imigrassem.
    Olha, adorei o seu layout novo! Bom fim de semana pra você :-)

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    1. Mallu sou muito realista nao amei cada segundo, por causa da qualidade da Educacao no Brasil, vou te dar outro exemplo, tu acha que um medico gosta de trabalhar nos hospitais da rede publica do Brasil, talvez um 1% dos hospitais publicos seja bom e assim acontece com a escola, ja no setor privado tb ha falta de respeito ganha-se bem, mas tiram a tua alma, entao o trabalho tem que ter dignidade para quem serve e para quem é servido, se a Escola é boa, tem estrutura, o aluno é motivado, nos hospitais a mesma coisa, pacientes em macas pelo corredor, falta de leitos, falta de tudo, esses 2 sistemas Educacao e Saude estao doentes e adoencendo, professores, alunos, medicos e paciente etc., Gostei sim de ser professora quando trabelhei com jovens e adultos no EJA e no Projovem, amei mesmo, sinto falta dessas turmas e gostria de ser professora de Portugues na Alemanha, pq como brasileira e formada posso, mas é necessario mais mercado pra isso por aqui, quem sabe um dia, por enquanto vou vivendo e me adaptando, como posso, como disse sou realista, tenho sonhos, mas tenho bolso tb, otima semana para vc :)

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