terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Das coisas q deixei...

Vendo a net me deparei sem querer com uma chamada em caráter de emergência dos aprovados do último concurso para professores da minha cidade datada ano passado e meu nome está lá e só soube hj.

Aí nao tem como nao pensar das coisas que deixei pra trás.

Das minhas conquistas no meu país.

Dos tempos da Facul, da minha pós, do estágio, do primeiro trabalho, das escolas, dos alunos.

(Ah! as escolas sao um capítulo a parte, que desigualdade, lembro da última escola particular que trabalhei, um sonho, tem tudo e lembro tb da última escola pública, caos, sem estrutura, turmas lotadas, jovens desestimulados, com analfabetismo funcional. E os professores ali, guerreiros. Tenho saudade dos meus últimos alunos, adultos, conscientes, com tanta defasagem, mas com vontade, correndo atrás do tempo perdido, querendo ainda uma chance)

Podem ser pequenas pra alguns, mas sao as minhas conquistas.

Quem me dera ver meu nome aqui em um chamado tipo esse.

Quando resolvi vir pra cá, sabia que podia ser chamada ou nao, até esperava que nao, mas fui...e aí me vejo aqui lutando em um outro país, que nao é o meu.

E sempre paro e penso o que já conquistei aqui. Tenho algumas conquistas, mas acho pouco, muito pouco, pq quero as coisas pra ontem.

Sou estrangeira, mas pior do que isso é se sentir estrangeira, pronto falei. Vc nao é um deles, vc nunca será um deles, nao quero ser um deles, mas quero me sentir mais acolhida e nao sei se isso acontece só comigo, mas ainda nao me senti acolhida, mesmo sabendo que existe uma política de integracao, mas nao é fácil, um estrangeiro tem que lutar, recomecar e todos os dias penso nisso.

Porra lá no meu Job, tem um alemao que toda vez que eu vou trabalhar ele pergunta se vou trabalhar no outro dia, a última ele perguntou pela alema, chego em casa e comento minha opiniao de que esse cara nao gosta quando vou trabalhar e fica rezando pra no outro dia ser outra pessoa. Porra me sinto mal, acho que só posso nao transparecer simpatia. Porra pela terceira vez, to comecando a me sentir complexisada. Fico pensando o que ele(s) quer, que eu entre no salao e fixe um sorriso 24 horas na boca, abra a matraca e fale sem parar (alemao gosta disso?) dance, pule e ainda carregue uma melancia pendurada no pescoco como colar, aí sim vou ser a simpaticona.

Nao quero dizer com isso que no meu país nao preciso lutar, mas é diferente, totalmente diferente É MEU PAÍS, nao tem como descrever.

Nao sei se amanha, daqui há algum tempo vou pensar e sentir diferente...

4 comentários:

  1. Eu passei por isso mês passado, vim embora eu tenha me inscrito o processo simplificado para professor de arte no Estado, e na metade de janeiro pra cá saiu o resultado e meu nome estava na chamada da secretaria de educação. Acredito que você não seja a única a estar experimentando a sensação de estar aqui e ainda não se sentir integrada. A vizinha do meu noivo não fala comigo por causa de uma discussão que teve com ele a respeito de não me achar "adequada" na visão de mundo perfeito dela e ela esperava mesmo que ele lhe desse ouvido. Como ele nem ligou pro que ela disse, ela não fala nem comigo e nem com ele. Coisa louca, né? Eu acredito na adaptação e você já está mais próxima dela do que você pensa. Um abraço

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  2. Oiii
    eu sei como voce se sente...
    passei por algo parecido. Quando cheguei aqui, tive varios problemas com a documentacao da faculdade. Por fim, tive que enviar todos os meus certificados para New York (isso mesmo!) para que tivesse um comprovante que a educacao na minha universidade no Brasil realmente existisse e fosse compatível com a educacao americana... Me senti pessima, era como se duvidassem do meu potencial como profissional.
    Mas ao deixar o nosso país, é como dizem: bem vinda ao mundo alien! Voce nao pertence a esse mundo!
    Mas nao se preocupe, esse sentimento melhora depois :)
    bjs

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  3. Oi Barb!!!
    não posso te dizer tanta nada, pois ainda não estou aí na Alemanha... imagino que deva ser ruim isso tudo. Ai, ai quero ver como será comigo.
    Bom, com o Ivan até o momento ele não sentiu isso no trabalho, não sei se é por que lá tem gente do mundo todo. O certo seria as pessoas serem notadas pela sua competência e não de onde você é, ou de que cor é seu cabelo...
    Não desista, seja persistente, pois muitos passam pela mesma coisa, você não esta sozinha...
    Abraço com carinho!

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  4. Olha menina,te entendo demais. Acho que nem precisa ser no trabalho não, em só o fato de estar inserida numa cultura totalmente diferente da nossa, a gente já sente.Não é a mesma coisa, mas algo eu prometi pra mim mesma, não vou deixar ser vitimizada pelos outros.Tenho tanto potencial quanto.Pra falar a verdade, essa coisa que americano gosta de trabalhar é balela! A minoria gosta de trabalhar, mas a maioria gosta de ter um emprego.

    Mas com fé a gente chega lá. Gente como esse alemão tem em todo canto até mesmo no nosso próprio país.O lance é fazer o nosso melhor e deixar Deus nos exaltar! Quando Deus exalta nem o homem pode tirar esse crédito de nós.

    Bjos

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